19 de novembro

  • Dia da Bandeira
Falecimento
Outros fatos


1828 — Morre Franz Schubert

Franz Peter Schubert, nascido em 1797, em Liechtental (Viena), é considerado um dos compositores de maior expressividade na passagem do estilo clássico para o romântico.

Proveniente de uma família típica de classe média, Schubert iniciou na música aos oito anos, quando seu pai, professor primário, ensinou-lhe os princípios do violino. Devido ao notável progresso do garoto, o mestre Michael Holzer, organista da paróquia local, passou a lhe dar aulas de piano e canto, bem como ajudou a aperfeiçoar seus conhecimentos de violino.

Aos 11 anos, após aprovação em concurso, conquistou um lugar no coro da capela imperial e ingressou no Stadkonvikt, um dos melhores colégios de Viena. Permaneceu nesse conservatório durante cinco anos e, após o término dos estudos, fez estágio numa escola normal, para tornar professor. Além disso, na época também ajudou seu pai na escola paroquial.

Em 1816, conheceu o barítono Johann Michael Vogl, que se tornou um de seus maiores intérpretes e grande amigo. Um ano depois perdeu o emprego de professor, o que deixou seu pai muito irritado, com isso Schubert foi expulso de casa. E, então, passou a morar com amigos e a viver do ensino de música. Nesse período, dedicou-se à composição.

Em 1819, o compositor apresentou sua cantata Prometeu à alta sociedade de Viena, porém não obteve sucesso, devido ao preconceito do público contra artistas não-consagrados. Entre 1819 e 1823, escreveu diversas óperas, todas sem reconhecimento. Apenas suas obras populares, de fácil assimilação, caíram no gosto dos vienenses.

No começo de 1823, Schubert contraiu sífilis, doença que não tinha cura naquela época. Passou várias semanas no Hospital Geral de Viena, onde compôs algumas canções do notável ciclo A bela moleira. Outras composições de maior notoriedade se seguiriam: Viagem de inverno, O canto do cisne, O caminhante, A morte e a donzela, O rei dos elfos, entre outras.

Morreu em 1828, aos 31 anos, em sua cidade natal.


1967 — Morre Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa nasceu em 1908, em Minas Gerias. Foi médico, diplomata e só obteve reconhecimento como escritor a partir de 1956, quando publicou Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile.

Admitido na Academia Brasileira de Letras, faleceu três dias após sua posse. É quase unanimemente reconhecido no Brasil, como a maior expressão de nossa ficção no século XX.

Extraindo sua matéria do sertão mineiro, espaço marginal à civilização moderna, onde o gado campeia, Guimarães Rosa toma o sertão como uma forma de aprendizado sobre a vida, não apenas do sertanejo, mas do homem. Os grandes temas da literatura universal são projetados no sertão: o bem e o mal, Deus e o Diabo, a vida e a morte, o amor e o ódio.

Obras

Sagarana (1946)
Corpo de Baile (1956)
Grande Sertão: Veredas (1956)
Primeiras Estórias (1962)
Tutaméia – Terceiras Estórias (1967)
Estas Estórias (1969)
Ave, Palavra (1970)
Manuelzão e Miguilim
No Urubuquaquá, no Pinhém
Noites do Sertão

A reinvenção da linguagem

O que se altera na ficção brasileira com a produção de Guimarães Rosa é o modo de lidar com a palavra, a maneira de considerar a linguagem.

A tendência regionalista acaba assumindo a característica de experiência estética universal, compreendendo a fusão entre o real e o mágico, de forma a radicalizar os processos mentais e verbais inerentes ao contexto fornecedor de matéria-prima. O folclórico, o pitoresco e o documental cedem lugar a uma maneira nova de repensar as dimensões da cultura, flagrada em suas articulações no mundo da linguagem.

A linguagem rosiana funda-se, além da capacidade criadora do autor, no profundo domínio do português arcaico e contemporâneo, no conhecimento de outras línguas, e nos caderninhos que acompanhavam Rosa em suas andanças pelo sertão, onde anotava a maneira de falar do povo brasileiro, utilizada não como registro de superfície, mas como expressão verbal que se aproxima da metáfora poética dos grandes escritores universais.

As experiências semânticas de Rosa apoiam-se num profundo conhecimento da musicalidade da fala sertaneja, numa melopeia cheia de cadências populares e medievais.

Erudita e popular, a linguagem de Rosa funde narrativa e lírica, por meio de recursos poéticos: células rítmicas, aliterações, onomatopeias, rimas internas, ousadias mórficas, elipses, cortes e deslocamentos sintáticos, vocabulário insólito (arcaísmos e neologismos), associações raras, metáforas, anáforas, metonímias, fusão de estilos etc.
Por meio de elementos mítico-poéticos, Rosa trabalha as dimensões pré-conscientes do homem, entre o real e o surreal, nutrindo-se de velhas tradições, como as que inspiravam, nas canções de gesta e novelas de cavalaria dos guerreiros medievais, o convívio entre o sagrado e o demoníaco.

Em suas narrativas, a prosa aproxima-se da poesia, como se pode notar no seguinte trecho, que mimetiza, pela exploração da musicalidade, o movimento de uma boiada:

As ancas balançavam e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estalos de guampas, estrondos de baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos, de lá do sertão..

Um boi preto, um boi pintado
cada um tem sua cor.
Cada coração um jeito
de mostrar o seu amor.

Boi bem bravo bate baixo, bota baba, boi berrando... Dansa doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito... Vai, vem, volta vem na vara, vai não volta, vai varando...

(in Sagarana, “O Burrinho Pedrês”)


1889 — Adoção oficial da atual Bandeira Nacional

A adoção oficial da atual Bandeira Nacional aconteceu quatro dias após a Proclamação da República, em 19 de novembro de 1889, por meio do Decreto nº. 4.

A Bandeira Nacional atual apresenta três formas geométricas: o retângulo verde, o losango amarelo e o círculo azul, que, por sua vez exibe o céu em seu aspecto às 8h30, em 15 de novembro de 1822. As estrelas representam, também, os 26 Estados e o Distrito Federal brasileiros. Cortando o círculo azul há, ainda, uma faixa branca contendo os dizeres “Ordem e Progresso”, lema positivista. Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos foram os autores da ideia, e a execução artística coube a Décio Vilares.

Em 1908 uma comissão, da qual fazia parte o poeta Olavo Bilac, chamou a atenção “para que se comemorasse condignamente o pavilhão nacional”. O resultado do apelo foi o estabelecimento do Dia da Bandeira na mesma data em que fora assinado o decreto autorizando sua criação. Em 2009, o pavilhão nacional comemora 100 anos.

Diariamente, a bandeira é hasteada e arriada em órgãos como Presidência da República, Praça dos Três Poderes, Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional, representantes máximos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, entre outros órgãos. Não há um horário oficial para esses atos, porém, tradicionalmente ela é hasteada às 8 horas da manhã e arriada às 18 horas.